Andaimes são plataformas de trabalho temporárias, geralmente erigidas no exterior, um contexto que as torna particularmente vulneráveis à ação dos elementos atmosféricos. O vento é disso exemplo e pode ter um impacto significativo na estabilidade e integridade da estrutura, devendo por isso ser tido em conta durante o planeamento, montagem, utilização, manutenção e desmontagem do andaime.

Por essa razão, é importante perceber como calcular a força do vento num andaime, com ou sem rede de proteção. Contudo, importa ressalvar que os cálculos apresentados neste artigo têm um caráter meramente indicativo e simplificado, não substituindo, em qualquer circunstância, o dimensionamento estrutural e a verificação técnica previstos nas normas aplicáveis.

Veja um vídeo representativo da força do vento em andaimes e de como este fator pode contribuir para o colapso da estrutura.

Normas e diretrizes orientadoras

Normas de segurança, como a EN 12811-1, estabelecem requisitos e orientações relacionados com a resistência, estabilidade e segurança dos andaimes, incluindo aspetos a considerar relativamente à ação do vento. Em complemento, o enquadramento técnico pode envolver normas como a EN 12810 e o Eurocódigo do vento (EN 1991-1-4), sobretudo em contextos de maior exigência técnica.

Para aferir a influência do vento sobre uma estrutura, devem ser considerados diversos fatores, entre os quais:

  • Altura do andaime;
  • Local de implementação e exposição ao vento;
  • Configuração da estrutura;
  • Presença de redes de proteção, telas ou revestimentos;
  • Tipo de ancoragem e estabilidade global do sistema.

Nota: O cálculo da força do vento num andaime pode tornar-se complexo e deve, em contexto real, respeitar as normas técnicas aplicáveis e as instruções do fabricante do sistema de andaime.

Por exemplo, no que diz respeito à configuração, é importante notar que quando um andaime é revestido com rede de proteção, telas ou lonas publicitárias, a sua exposição à ação do vento aumenta significativamente. Isto acontece porque estes elementos reduzem a permeabilidade da estrutura ao ar, aumentando a superfície exposta e, consequentemente, a pressão exercida pelo vento sobre o andaime.

As normas técnicas europeias, como a EN 12811-1, recomendam que a ação do vento seja considerada no planeamento e dimensionamento do andaime, especialmente quando existem revestimentos, redes de proteção ou lonas que alterem significativamente o comportamento aerodinâmico da estrutura. Nestes casos, podem ser necessárias medidas adicionais, como reforço das ancoragens, limitação de altura ou até a remoção temporária das redes perante condições meteorológicas adversas.

Nesse sentido, para se obter um resultado mais fiável e rigoroso no cálculo simplificado da ação do vento sobre um andaime, deve ser considerado o coeficiente de permeabilidade ou penetração da rede de proteção, quando aplicável.

Quando existe rede de proteção ou revestimento, torna-se ainda mais crítico manter uma atenção permanente às condições meteorológicas e às recomendações do fabricante do sistema de andaime.

Ao contrário, quando não existe rede de proteção, o andaime tende a apresentar menor resistência aerodinâmica ao vento, uma vez que o ar consegue atravessar parcialmente a estrutura, reduzindo a pressão global exercida sobre esta. Ainda assim, a capacidade resistente do andaime dependerá sempre da sua configuração, ancoragem e dimensionamento.

Como determinar a velocidade do vento expectável em cada zona?

Para aferir e antecipar o potencial de velocidade do vento numa determinada zona, podem ser consultados estudos, mapas e dados meteorológicos disponibilizados pelo IPMA, que incluem referências à velocidade média e comportamento do vento em diferentes regiões de Portugal continental.

Entre os documentos de referência destacam-se:

  • “Atlas do Vento em Portugal Continental”, publicado pelo IPMA;
  • “Caracterização do Regime do Vento em Portugal Continental”.

Estes documentos, assim como outros dados meteorológicos relevantes, podem ser consultados através do IPMA, podendo servir de apoio à avaliação preliminar das condições de vento expectáveis numa determinada localização.

Nota: A velocidade média do vento numa região não deve ser interpretada como valor absoluto para efeitos de dimensionamento estrutural, uma vez que fatores locais, como altitude, exposição, obstáculos, topografia e altura do andaime, podem influenciar significativamente a ação do vento sobre a estrutura.

Qual é a fórmula para calcular a força do vento num andaime?

Nota: Este artigo é meramente informativo e não capacita ninguém para proceder a este tipo de cálculo em contexto real. Os resultados apresentados têm um caráter meramente indicativo e não devem ser utilizados para efeitos de dimensionamento, planeamento ou validação estrutural de qualquer obra, não dispensando, em circunstância alguma, o recurso a um profissional qualificado. Este tipo de cálculo deve ser realizado por técnicos e engenheiros especializados, respeitando as normas aplicáveis, instruções do fabricante e as condições específicas de implementação do andaime.

Mesmo quando estes cálculos são realizados por profissionais, é importante considerar a evolução das condições meteorológicas, sobretudo quando existam redes de proteção, lonas ou alterações relevantes na configuração da estrutura.

Independentemente de poderem existir diferentes metodologias para estimar a ação do vento sobre um andaime, existem alguns fatores fundamentais que influenciam o resultado:

  • Área exposta do andaime;
  • Velocidade do vento;
  • Coeficiente aerodinâmico (arrasto/permeabilidade);
  • Configuração do andaime e presença de redes ou revestimentos.

A título meramente exemplificativo, uma fórmula simplificada para estimar a força do vento pode ser a seguinte:

  • F = 0,5 × ρ × A × Cd × V²

Legenda:

  • F = força do vento em Newtons (N);
  • ρ (rho) = densidade do ar em kg/m³ (normalmente adotada como aproximadamente 1,225 kg/m³ ao nível do mar);
  • A = área do andaime exposta ao vento em m²;
  • Cd = coeficiente de arrasto aerodinâmico, que varia consoante a geometria da estrutura, permeabilidade, presença de redes de proteção e condições de implementação. Para efeitos meramente exemplificativos, pode ser adotado um valor simplificado, mas em contexto real deve ser determinado de acordo com as normas aplicáveis e especificações do fabricante do sistema;
  • V = velocidade do vento em metros por segundo (m/s).

Nota técnica: A fórmula apresentada constitui uma simplificação da ação do vento e não substitui, em qualquer circunstância, o cálculo estrutural previsto em normas como a EN 12810, EN 12811 e EN 1991-1-4 (Eurocódigo do vento).

Calculadora para estimar a força do vento sobre um andaime







Notas:

  • Esta calculadora fornece apenas uma estimativa simplificada da força do vento sobre um andaime e não substitui o cálculo técnico realizado por um profissional qualificado.
  • Foi adotada uma densidade média do ar (ρ = 1,225 kg/m³) e um coeficiente aerodinâmico simplificado (Cd = 0,6) para efeitos meramente exemplificativos.
  • Em contexto real, fatores como altura do andaime, redes de proteção, exposição ao vento, topografia, ancoragens e especificações do fabricante podem influenciar significativamente os resultados.
  • Esta calculadora proporciona apenas uma estimativa: os cálculos da ação do vento sobre um andaime devem ser realizados por um engenheiro especializado ou técnico qualificado.
  • A densidade do ar e o coeficiente aerodinâmico foram simplificados na calculadora para efeitos meramente indicativos. Em contexto real, estes parâmetros podem variar e devem ser ajustados em conformidade com as normas aplicáveis, características do andaime e condições específicas de implementação.
  • Existem vários fatores que podem ser considerados para tornar a estimativa mais precisa. Entre outros, destacam-se:
  1. Altitude: a altitude da zona de implementação pode influenciar a densidade do ar e, consequentemente, a ação do vento sobre a estrutura.
  2. Contexto de implementação ou terreno: a existência de obstáculos, como edifícios, árvores ou relevos nas imediações, pode influenciar significativamente a velocidade e direção do vento.
  3. Formato da estrutura: a geometria do andaime influencia a ação do vento. Estruturas mais permeáveis tendem a permitir maior passagem do ar, reduzindo parcialmente a pressão exercida pelo vento.
  4. Ângulo de incidência do vento: a direção e o ângulo de incidência do vento têm impacto na pressão exercida sobre a estrutura, variando conforme o sentido e intensidade da exposição.
  5. Temperatura ambiente: a temperatura do ar pode influenciar ligeiramente a densidade deste e, consequentemente, a ação do vento.
  6. Coeficiente de permeabilidade da rede de proteção: muitas vezes são colocadas redes de proteção, telas ou lonas nos andaimes, com influência significativa na ação do vento sobre a estrutura. A sua influência dependerá da densidade da malha, gramagem, material e permeabilidade.

Tabela exemplificativa de coeficientes de arrasto aerodinâmico

Nota: Os coeficientes abaixo são meramente exemplificativos e dizem respeito a formas geométricas genéricas. Em andaimes reais, o coeficiente aerodinâmico pode variar significativamente consoante o sistema de andaime, presença de redes de proteção, revestimentos, geometria da estrutura, exposição ao vento e recomendações do fabricante.

Objeto Descrição Coeficiente de arrasto adimensional (Cd)
Cilindro Normal ao vento 1,2
Esfera Normal ao vento 0,47
Placa plana Normal ao vento, com bordas perfeitamente afiadas 1,17
Placa plana Normal ao vento, com bordas arredondadas 1,98
Esfera Tangente ao vento 0,42

Fonte: EN 12811-1:2003 Temporary works equipment – Part 1: Scaffolds – Performance requirements and general design.

Nota de segurança: a ancoragem do andaime deve ser adequada à exposição ao vento expectável, configuração da estrutura, altura do andaime e condições de implementação.

Disclaimer: Todas as considerações, fórmulas e orientações dadas neste artigo são meramente exemplificativas. Este tipo de aferição e cálculo deve ser realizado por um profissional qualificado, tendo em conta o contexto específico de cada andaime, as normas aplicáveis e as orientações do fabricante do sistema.

Qual a velocidade máxima de vento que um andaime suporta?

Não existe uma resposta universal. A velocidade máxima de vento que um andaime é capaz de suportar dependerá do sistema utilizado, altura da estrutura, configuração, tipo de ancoragem, presença de redes de proteção, contexto de implementação e especificações do fabricante.

Em contexto real, os limites admissíveis devem resultar de cálculo técnico e das instruções do fabricante do sistema de andaime, não sendo aconselhável assumir valores genéricos.

Quando existem ventos fortes, especialmente em andaimes com redes de proteção ou lonas, é fundamental reforçar a monitorização da estrutura e, quando necessário, suspender os trabalhos.

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