Linhas de vida são sistemas de ancoragem utilizados na proteção contra quedas em trabalhos em altura. A sua finalidade é permitir a ligação segura de equipamentos de proteção individual, como conectores, cordas, arnês e dispositivos antiqueda, ajudando a reduzir o risco associado a quedas em altura. A instalação ou montagem destes sistemas deve ser realizada por técnicos com formação adequada, competências técnicas e conhecimento das instruções do fabricante, podendo exigir avaliação prévia da estrutura de suporte e dos pontos de ancoragem. Existem linhas de vida permanentes, temporárias, portáteis, verticais e horizontais.
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O que é uma linha de vida?
Na sua essência, uma linha de vida é uma estrutura ou dispositivo de ancoragem que serve de suporte e permite que uma pessoa se conecte a um ponto seguro sempre que exista risco de queda. Este tipo de sistema é um recurso de segurança utilizado tanto em deslocações, do ponto A para o ponto B, como no exercício de tarefas em altura.
Com base neste princípio, pode servir diferentes finalidades em vários contextos, incluindo trabalhos de manutenção, inspeção, resgate ou outras atividades em que exista risco de queda. Não é invulgar, por exemplo, encontrarmos linhas de vida em telhados, coberturas, estruturas que necessitem de manutenção frequente ou mesmo em infraestruturas de lazer, como parques de arborismo.
Linhas de vida permanentes
Uma linha de vida permanente é, na maioria dos casos, instalada em infraestruturas que necessitam de manutenção recorrente ou regular, como coberturas, fachadas técnicas, torres, silos ou estruturas industriais. Nestes casos, os seus componentes devem ser adequados à exposição prevista, nomeadamente às condições atmosféricas, corrosão e utilização ao longo do tempo. Devem também ser sujeitos a inspeções periódicas documentadas e a manutenção regular, de acordo com as instruções do fabricante e requisitos aplicáveis, de forma a preservar o bom estado de conservação e a conformidade do sistema.
Linhas de vida provisórias ou temporárias
As linhas de vida temporárias são adequadas a necessidades pontuais e podem integrar componentes têxteis. Ainda assim, devem, tal como as permanentes, ser sujeitas a verificação antes de cada utilização, inspeções periódicas documentadas e utilização conforme as instruções do fabricante, respeitando as normas e requisitos legais e de segurança aplicáveis. Entre estas encontram-se as linhas de vida portáteis, geralmente constituídas por uma cinta de poliéster, um roquete ou tensor, conectores e slings de ancoragem. São soluções de montagem relativamente mais simples e rápida, desde que existam pontos de ancoragem adequados e devidamente avaliados.
Nota: Tal como no caso das linhas de vida permanentes, estas devem ser montadas por técnicos qualificados, com formação adequada e conhecimento das instruções do fabricante. O produto abaixo, a SafeWalk, é um exemplo de uma linha de vida portátil horizontal com 20 metros.
Instalação e montagem de linhas de vida
Como já referimos, a montagem ou instalação de uma linha de vida deve ser realizada por técnicos e empresas com formação adequada, competências técnicas e experiência neste tipo de sistemas. O seu propósito é reduzir o risco de queda em altura e proteger os utilizadores durante a execução dos trabalhos, pelo que se trata de um processo em que a exigência ao nível da segurança deve ser elevada. Sejam temporárias ou permanentes, verticais ou horizontais, as linhas de vida devem ser selecionadas, instaladas e utilizadas de acordo com as instruções do fabricante, a avaliação de riscos e os requisitos técnicos e legais aplicáveis.
A capacidade dos pontos de ancoragem e dos componentes não deve suscitar dúvidas, devendo ser adequada, com margem de segurança, ao tipo de esforço a que podem estar sujeitos. Isto requer uma avaliação detalhada das condições e da capacidade da estrutura onde será realizada a montagem ou instalação da linha de vida, podendo justificar verificação ou cálculo estrutural por técnico competente.
Além disso, todos os elementos que compõem o sistema devem ser conformes com os requisitos aplicáveis, estar devidamente marcados e documentados, respeitar as normas e prescrições de segurança relevantes e ser utilizados de acordo com as instruções e finalidades definidas pelo fabricante.
Exemplo da instalação de uma linha de vida horizontal num telhado
Uma linha de vida horizontal deve permitir ao trabalhador aceder em segurança à área a intervencionar ou inspecionar, mantendo a continuidade da proteção contra quedas durante a deslocação e execução dos trabalhos.
Quando a segurança numa estrutura é assegurada por várias linhas de vida, sem continuidade em toda a extensão da infraestrutura, o utilizador deve dispor de um sistema antiqueda de progressão, como um arnês de segurança com longe dupla em Y, adequado ao sistema e utilizado de acordo com as instruções do fabricante.
Quando exista inclinação ou risco de escorregamento, o trabalhador deve estar ligado à linha de vida através de um dispositivo antiqueda adequado, com bloqueio automático, selecionado de acordo com o sistema instalado, a avaliação de riscos e as instruções do fabricante.
Exemplo da instalação de uma linha de vida vertical
Neste tipo de linhas de vida, geralmente instaladas em escadas fixas ou acessos verticais, o utilizador deve estar ligado à linha de vida através de um dispositivo antiqueda guiado ou de bloqueio automático, adequado ao sistema instalado. Este dispositivo deve acompanhar a progressão do trabalhador e bloquear em caso de queda, de acordo com as instruções do fabricante e os requisitos aplicáveis.
Manutenção e inspeção de linhas de vida
Estes sistemas de ancoragem e proteção contra quedas devem ser sujeitos a inspeções periódicas e inspeções pontuais, nomeadamente após uma queda, solicitação significativa, anomalia detetada ou exposição a fenómenos climatéricos extremos. Deve existir um plano de verificação, inspeção e manutenção rigoroso, documentado e realizado por técnicos competentes, de acordo com as instruções do fabricante e os requisitos aplicáveis. O cumprimento deste plano contribui para manter o sistema em condições adequadas de utilização e para reduzir o risco para os utilizadores.
Utilização de linhas de vida
- Antes de recorrer a este equipamento, deve-se verificar o seu estado de conservação e confirmar que o plano de inspeções e manutenção foi cumprido de forma rigorosa e documentada.
- O acesso a este equipamento deve ser limitado a utilizadores com formação adequada para a sua utilização e conhecimento dos procedimentos de segurança aplicáveis.
- Não devem ser realizadas alterações à estrutura nem improvisos, nem se deve utilizar o sistema para finalidades diferentes das previstas ou que excedam a sua capacidade.
Nota: É essencial garantir que equipamentos, executantes e utilizadores cumprem os requisitos legais, normativos e de segurança aplicáveis, possuem formação adequada e que a instalação é mantida e inspecionada com a regularidade definida pelo fabricante, pela avaliação de riscos e pelos requisitos aplicáveis.
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Perguntas frequentes
O que é uma linha de vida?
Uma linha de vida é um sistema de ancoragem utilizado em trabalhos em altura para permitir a ligação segura de equipamentos de proteção individual contra quedas, como arnês, conectores, longe ou dispositivos antiqueda. Pode ser permanente, temporária, horizontal, vertical ou portátil, conforme o tipo de utilização e o local de instalação.
A instalação de uma linha de vida deve ser realizada por técnicos ou empresas com formação adequada, competências técnicas e conhecimento das instruções do fabricante. Antes da instalação, devem ser avaliados os pontos de ancoragem, a estrutura de suporte, os esforços previstos e os requisitos legais e normativos aplicáveis.
Sim. As linhas de vida devem ser sujeitas a verificações antes da utilização, inspeções periódicas documentadas e inspeções pontuais após queda, esforço significativo, anomalia ou exposição a condições extremas. A frequência e o tipo de inspeção devem seguir as instruções do fabricante, a avaliação de riscos e os requisitos aplicáveis.

Daniel Reis
Há muitos anos nesta área, sou hoje Técnico de Acesso por Cordas – Supervisor nível III (IRATA), com passagem por vários contextos de trabalho, como parques de eólicas, plataformas off-shore, e outras indústrias pesadas. Às competências de acesso por cordas alio outras formações como de soldador.



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