À segurança em andaimes associamos, invariavelmente, o risco de queda em altura, com potencial para gerar consequências graves para os trabalhadores e, ainda que de forma menos frequente, para equipamentos e terceiros.
No entanto, para além deste risco mais evidente, à montagem de andaimes estão associados muitos outros, como a queda de objetos ou o colapso da estrutura, também eles com um potencial de dano elevado, podendo provocar acidentes fatais ou muito graves.
Neste artigo sobre segurança em andaimes, vamos proceder à identificação e avaliação de riscos da atividade, com o intuito de informar e sensibilizar os intervenientes no processo produtivo e utilizadores destas plataformas temporárias de trabalho, para as questões relacionadas com a segurança.
Nesse sentido, procuraremos compreender e identificar os riscos associados e, dando continuidade, encontrar e sugerir medidas preventivas que promovam a eliminação ou a mitigação dos riscos.
Nesse sentido, procuraremos compreender e identificar os riscos associados e, dando continuidade, encontrar e sugerir medidas preventivas que promovam a eliminação ou a mitigação dos riscos.
Abordaremos a utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs), normas e boas práticas de organização no local de trabalho, procedimentos e outras medidas preventivas adequadas a vários contextos e ambientes de implementação de andaimes. No entanto, ressalvamos que os exemplos aqui apresentados não dispensam a consulta e o conhecimento das prescrições legais e de segurança aplicáveis à atividade, assim como uma formação adequada.
Segurança em Andaimes
Identificação de riscos e medidas preventivas
Segurança em Andaimes – Avaliação de riscos e medidas preventivas
Metodologia de Avaliação de Riscos para montagem de andaimes em segurança:
A metodologia selecionada para a avaliação de riscos foi o método simplificado, em que se considera que o grau de risco de um determinado acontecimento perigoso é função da probabilidade de ocorrência do perigo e das consequências esperadas, sendo calculado pela seguinte expressão:
GR = P X C
GR – Grau de risco;
P – Grau de probabilidade de ocorrência;
C – Grau das consequências esperadas.
Consideram-se seis níveis para a classificação das consequências esperadas e da probabilidade de ocorrência, sendo que o valor mais baixo é (1) e o mais elevado é (6), como indicado no quadro abaixo.
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Consequências esperadas |
Probabilidade de acontecimento |
|
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Pequenas lesões |
1 |
Ocorrência altamente improvável |
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Lesões superficiais sem paragem de trabalho |
2 |
Possibilidade remota de ocorrência |
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Lesões graves num trabalhador |
3 |
Possível ocorrência |
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Lesões graves em vários trabalhadores |
4 |
Ocorre com frequência e regularidade |
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Morte de um trabalhador |
5 |
Muito provável ocorrência |
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Morte de vários trabalhadores |
6 |
Ocorre de certeza |
Esta abordagem segue o princípio de avaliação de risco baseado na combinação entre probabilidade e consequência, amplamente utilizado em metodologias de segurança no trabalho e em orientações de entidades como a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (EU-OSHA).
Após a avaliação do grau de risco, procede-se à sua classificação de acordo com o quadro abaixo:
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CLASSIFICAÇÃO |
GESTÃO DO RISCO |
|
Risco Mínimo ≤ 3 |
Este risco é considerado aceitável, não assumindo carácter obrigatório a definição de medidas adicionais para controlo e prevenção. |
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Baixo Risco 4 – 6 |
Não é necessário tomar medidas imediatas para o reforço do controlo e prevenção, para além das medidas já implementadas. |
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Risco Médio 8 – 10 |
Devem ser identificadas as medidas para a redução do risco e planeada a sua implementação num prazo estabelecido. É necessário proceder a uma avaliação periódica de eficácia destas medidas. |
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Alto Risco 12 – 36 |
O trabalho deve parar de imediato até que se tenham posto em prática as medidas adequadas para a prevenção e controlo do risco, de modo a que se torne aceitável. Deve ser identificado o risco imediato e implementadas as medidas de protecção adequadas para o controlo do mesmo. |
Outras notas sobre segurança em andaimes:
- Os exemplos indicados não cobrem todas as variáveis possíveis nos diferentes contextos de implementação de andaimes. É fundamental que, em cada empreitada, seja realizada uma análise prévia das condições de trabalho. Esta avaliação permitirá aferir os riscos e perigos específicos e, a partir destes, definir as medidas preventivas adequadas à montagem de andaimes em segurança.
- Em qualquer circunstância, deve-se utilizar um andaime adequado para trabalhos em altura. Independentemente do contexto, deve-se recorrer a andaime certificado e em bom estado de conservação.
- Após a montagem, o andaime deve ser alvo de inspeção, de acordo com uma checklist de verificação.
- Em condições de visibilidade reduzida e havendo risco de embate contra a estrutura, deve-se recorrer a sinalização de segurança para andaimes.
- Para além de garantir o cumprimento de todos os procedimentos, normas e regras de segurança para a montagem de andaimes, a entidade empregadora deve assegurar formação e ações de sensibilização contínuas.
Perguntas frequentes
Os principais riscos na montagem e desmontagem de andaimes incluem quedas em altura, quedas ao mesmo nível, queda de objetos, colapso da estrutura, choques, cortes e entalamentos, eletrocussão, exposição ao ruído e sobrecargas físicas. Em determinados contextos, também podem existir riscos graves em espaços confinados e atmosferas explosivas (ATEX)
Para melhorar a segurança em andaimes, é essencial manter a área de trabalho organizada, utilizar EPIs adequados, garantir pontos de ancoragem seguros, cumprir os procedimentos de montagem e desmontagem, sinalizar a zona de trabalho e verificar previamente as condições do local. A formação dos trabalhadores e a inspeção do andaime após a montagem também são medidas fundamentais.
A avaliação de riscos permite identificar os perigos específicos de cada empreitada e definir medidas preventivas adequadas antes do início dos trabalhos. Este processo ajuda a reduzir a probabilidade de acidentes, melhora o controlo operacional e contribui para uma montagem de andaimes mais segura, sobretudo em ambientes complexos ou com condições especiais.
A utilização de andaime certificado e em bom estado de conservação é essencial para garantir condições de segurança nos trabalhos em altura. Após a montagem, o andaime deve ser sujeito a inspeção com checklist de verificação, de forma a confirmar a estabilidade da estrutura, a correta montagem dos componentes e a existência das condições necessárias para uma utilização segura.

Aliando uma década de experiência no setor dos andaimes, à formação em Marketing Digital, decidi fundar o Portal dos Andaimes, um projeto de conteúdo dedicado a andaimes e outros tipos de trabalho em altura.
Durante o período em que trabalhei na Servitubos – Andaimes do Sul, desempenhei as funções de TSHST e, mais tarde, de encarregado, em contextos de construção civil e indústria pesada, em refinarias e fábricas como a Repsol. Frequentei várias formações, entre as quais se destacam o curso TSHST (certificado pelo ACT), Passaporte de Segurança (ISQ), Diretiva ATEX, Gestão de Qualidade, Trabalhos Altura, Montagem de Andaimes, entre outras.


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